Alô?
Quem é?
Rose.
Ah, Rose...
Lembra de mim?
Você?
Sim, eu.
Não, quem?
Claro que não, você sim lembra!
Ainda não... E seu nome?
Segredo. Minha voz vai dizer.
Continua não dizendo.
Enfim, lembra do dia que andamos de mãos dadas?
Já foram tantos...
(Suspiro) Mas, suas palavras foram pesos para qualquer memória.
Como?
Naquele final de semana, disse-me palavras inesquecíveis. Inclusive, pôs nosso amor em terrenos da eternidade.
Qual amor?
Está sendo muito agressiva.
Não, porém sincera.
Sinceridade?
Tornei-me pó.
Pó?
Sim.
Desculpe...
Não entendeu?
Não, explique.
Eu morri.
- final da ligação -
Após o final daquela ligação perdi o rumo por um bom tempo, procurei ajuda e não a encontrei. Talvez, aos meus 90 anos com a esperança de encontrar a única mulher que um dia tive, amei e apaixonei fosse ter a oportunidade de, nessa reta final de vida, obter a mais sincera da felicidade.
Tal como o dia em que passeamos juntos e com a maior tradição de afeto: simples mãos dadas. Como aquilo me valeu... Na verdade, nessa ligação procurava momentos dignos de vivências da paixão. E aquele simbolismo das mãos sempre será para mim uma perfeita figuração simbólica de sentimentos tão poucos a serem significados, uma vez que se encontram no campo abstrato do existir.
Enfim, ao acordar no outro dia, o primeiro do ano de 2011, olhei a janela ao lado direito de minha cama e observei o sol espreguiçando, o vento infantil cantando suas rimas, pássaros poetistas declamando os versos livres e naquele momento tive a certeza: meu dia chegou. Aos corpos terrenos, adeus. A você, minha doce eternidade um olá. E, Rose, seremos novamente figuristas da tradição amorosa?
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