Pensamentos

É utópico dizer que um dia viveremos em uma sociedade sem

disparidades sociais, porém, é real dizer que o homem tenta

mudar o pior?




quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Besouro e a Rosa

Belazarte sempre foi uma pessoa com um pé no passado, jamais negando a mim uma oportunidade de conhecer um pouco da história da minha família. Minhas tias Carlotinha e Ana nunca foram à simpatia e o amor que uma criança espera de alguém mais velho. Por mais que tentasse descobrir o motivo, minha pouca maturidade me proibia de ir além do campo de visão que a idade permitia. E como sempre, foi meu avô Belazarte que quebrou mais um mistério.
As minhas tias há muito tempo tiveram de cuidar de uma menina que aos 18 anos sofria a dor exaustiva da perda de um amor, o qual gera a sensação única de plenitude e segurança que a vida pode nos proporcionar, afinal, ao nos entregarmos ao amor somos puros, portanto é afastado de nós tudo manipulado e imposto.
Enfim, o problema foi que sua paixão era por um grande intelectual da época, que forçado pela condição de vida frenética levada decide tirá-la em um momento de egoísmo e pecado. Afinal, tirou seu maior e único bem: ele mesmo. E Rosa que não suportando a dor da perda procura apoio no pior lugar possível, ou seja, um lar onde moram senhoras quarentonas, solteiras e virgens no amor. Nunca foram exploradas pelos espasmos da paixão e, naturalmente, não saberiam cuidar da dor de sua sobrinha. Infelizmente, está ficou desiludida com tudo e recolheu-se na sua insignificância de não ter amado mais quando o tinha. Agora, a flor que antes vermelha e bela virou morta, como se um besouro a houvesse sugado os últimos suspiros para viver.

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